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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Despreparo Da Geração Mais Preparada – Por Eliane Brum



Você já ouviu comentários de que as novas gerações estão preparadas em relação às tecnologias e novidades, mas muitas vezes despreparadas para enfrentar dificuldades e problemas típicos do dia a dia? Confira o excelente texto reflexivo sobre o assunto de Eliane Brum, publicado no Portal Raízes e na Revista Época:

“A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles que: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por este mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de serem felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens, no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos grandiosos, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender o fato de que na vida há faltas e isso não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Quer conhecer mais sobre o trabalho personalizado do Espaço Educacional? Então, acesse nosso site (www.espacoeducacional.com.br), mande um e-mail (jcoelho@espacoeducacional.com.br) ou ligue para (11) 3846-6785.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

10 tendências de personalização do ensino em 2017



A personalização de ensino é uma das propostas do Espaço Educacional e assunto de diversas discussões e reflexões sobre educação. No texto do site Porvir, publicado originalmente em personalizelearning.com, veja 10 novas ideias para atender às necessidades e interesses de cada aluno sem criar um modelo único que atenda a todos:

1 - Design universal de aprendizagem

Professores precisam entender como alunos acessam a informação, se engajam com o conteúdo e expressam o que sabem ou o que entenderam. 

2 - Inovação e criatividade

professores e alunos vão encorajar a inovação, encarar mais riscos, aprender a partir dos erros e sair da zona de conforto. 

3 - Preparação para o futuro

Alunos usam seus planos de aprendizagem pessoal para explorar o projeto de vida para determinar quais experiências são necessárias para que estejam aptos ao ensino superior, à carreira e à vida. 

4 - Letramento digital

Alunos podem até ter mais conhecimento sobre tecnologia do que os professores, mas não sabem usá-la de modo apropriado. Professores precisam apoiá-los a pensar criticamente e a agir de maneira segura no mundo digital. 

5 - Política de educação baseada em competências

O conceito defende que deve ser privilegiada a demonstração de domínio dos objetivos de aprendizagem em detrimento do tempo em sala de aula. 

6 - Colaboração global

Professores precisam ter compreensão intercultural e estimular a colaboração para trazer o mundo aos estudantes. 

7 - Aprendizagem baseada em projetos

Projetos com foco no aluno tornam o aprendizado mais personalizado porque dão voz e escolha sobre o que e como eles desejam aprender. 

8 - Aprendizagem profissional

Professores também são estudantes. A formação profissional encoraja o crescimento pessoal quando permite que os professores desenvolvam objetivos específicos. 

9 - Equidade e justiça social

As escolas precisam ser laboratórios para uma sociedade mais justa do que aquela em que vivemos hoje. Currículos precisam encorajar que alunos "compartilhem sua voz", com o mundo para que eles se tornem agentes de transformação. 

10 - Cultura de aprendizagem

Significa unir pessoas, sistemas e processos com os valores e comportamentos de sala de aula, escolas e comunidade para que todos cresçam, mudem e aprendam ao longo da vida.

Crédito: Barbara Bray e Kathleen McClaskey/Personalize Learning LLC

* Publicado originalmente em personalizelearning.com

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Como as crianças da Finlândia respeitam as regras brincando


A Finlândia é reconhecida pela melhor educação primária do mundo. Na escola, as crianças respeitam as regras brincando. Todos os dias, do ensino infantil ao médio, elas têm ao menos 15 minutos para recreação a cada hora. Confira detalhes sobre o assunto no texto produzido por The Hechinger Report e reproduzido pelo Porvir:

É hora do almoço na escola experimental de formação de professores da University of Eastern Finland, em North Karelia, um luxuoso distrito com floresta e lago próximo à fronteira com a Rússia.

Crianças da quarta série correm para a lanchonete só com meias nos pés, rindo, distribuindo abraços, ensaiando passos de dança e pulando. Uma menina fica de ponta-cabeça no corredor. Um professor elegante aparece no caminho e cumprimenta as crianças de modo informal. Ele é Heikki Happonen, diretor da escola e professor com carreira na educação infantil.

Como chefe da associação finlandesa de oito faculdades de educação de universidades federais, ele é, na prática, o professor-chefe da Finlândia, país que apesar de ter seus desafios e recentes deslizes em avaliações internacionais, responde pela melhor educação primária do mundo, de acordo com o relatório de competitividade global 2016-2017 elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

Segundo Happonen, a cena do corredor retrata um dos segredos do histórico sucesso da Finlândia na educação infantil.

O cérebro das crianças trabalha melhor quando elas estão se movimentando, diz o professor-chefe. Elas não apenas se concentram melhor na aula, como também se saem melhor ao “negociar, socializar, formar grupos e amizades”.

A Finlândia lidera o mundo ao descobrir que brincar é o mecanismo que mais ajuda no aprendizado das crianças. Elas aprendem no país por brincadeiras até os 7 anos e têm a garantia de receber intervalos de 15 minutos para recreação externa a cada hora durante todos os dias de aula (independentemente das condições climáticas) até o ensino médio.

Outro segredo crucial: o ambiente de aprendizagem, tanto o físico quanto o emocional.

“As crianças precisam se sentir na escola como se estivessem em casa, como se ela os pertencesse”, diz Happonen. “Elas são muito inteligentes, percebem e apreciam uma atmosfera de confiança. Nós as oferecemos um ambiente em que compreendem que ‘Este é um lugar onde sou muito respeitado, eu me sinto segura e confortável aqui. Eu sou uma pessoa muito importante’. Meu trabalho é proteger esse ambiente para as crianças. É para isso que venho trabalhar todos os dias”.

Happonen planejou por conta própria o moderno prédio nórdico da escola, formado por uma rede de salas de aula tradicionais unidas por corredores espaçosos, luz suave cinematográfica e cores quentes, uma suntuosa (para padrões americanos) sala de professores para café e trabalho colaborativo (incluindo uma sauna), além de cantinhos e sofás confortáveis para crianças relaxarem e se apoiaram com um colega ou um livro.

Conectando todas as peças, ao lado de um moderno laboratório de ciências, de uma lareira e sofás macios, está uma biblioteca aberta e modular para livros e revistas para as crianças aproveitarem.

Trata-se do ponto focal da escola. Em uma visita recente, uma professora da Espanha ficou quase sem palavras depois de alguns minutos dentro da escola. “É tão bonita”, ela disse. “Na Espanha, nossas escolas são como prisões. Mas isso é como um sonho”.

Happonen aponta para barcos coloridos de madeira entalhada à mão pendurados na parede de seu escritório, destacando diferentes formas, tamanhos e tipos de embarcações.

“Eu vi esses barcos em uma loja”, ele recorda. “Eles eram tão bonitos, decidi que tinha que comprá-los, mas não sabia por quê. Eu acabei pendurando em meu gabinete para que pudesse vê-los o tempo todo”.

“Então percebi o que eles são”, continuou. “Eles são crianças. Eles representam o fato de que todas as crianças são diferentes, eles começam de diferentes lugares e viajam em rotas diferentes. Nosso trabalho como professores é ajudar as crianças a navegarem por tempestades e aventuras, de maneira que cheguem bem e com segurança à sociedade e ao mundo”.

Alguns aspectos das escolas primárias da Finlândia podem ser específicos de sua cultura e intransferíveis para outros países. Mas muitas outras características são na verdade “boas práticas universais” para sistemas de educação infantil no Harlem, em Tóquio, Xangai, Paris, Los Angeles, Dubai, Cidade do México, África do Sul e outros lugares.

Essas práticas incluem aprendizagem inicial por meio do brincar, financiamento escolar justo, formação de professores altamente profissional, abordagem de gestão baseada em evidências e em educação integral, afeto e respeito pelas crianças e professores, ambientes de aprendizagem de baixo estresse e altamente desafiador, forte educação inclusiva e tratamento de todas as crianças como indivíduos talentosos e valorizados sem sacrificar sua infância com excesso de tarefas ou escolas superlotadas.

Por que qualquer uma de nossas crianças, especialmente aquelas de baixa renda, merecem menos que isso?

Nos Estados Unidos, décadas de tentativas atabalhoadas de reformar a educação levam a pouco ou nenhuma melhora nas escolas. Como um dos líderes do movimento reformista, Chester Finn, do Thomas B. Fordham Institute, declarou recentemente, “se você analisar que apesar de todas as reformas e todo o investimento que fizemos durante os últimos 25 anos nós continuamos com desempenho estagnado e passos lentos como resultados principais, é bem desencorajante”.

Qualquer familiar, professor ou legislador que esteja em busca de inspiração para que possamos trabalhar juntos para melhorar a educação de nossas crianças pode começar vindo à escola dos sonhos da Finlândia que fica na floresta.

William Doyle é produtor executivo de Transition of Power: The Presidency, do canal The History Channel. Doyle também é bolsista 2015-2016 da Fulbright e bolsista residente de 2017 da Rockfeller Foundation.

Este conteúdo foi produzido por The Hechinger Report, um veículo independente e sem fins lucrativos focado em desigualdade e inovação em educação. Reproduzido no Porvir mediante autorização.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O mais importante na vida de uma criança é ter com quem brincar, diz especialista



Luciano Lutereau, psicanalista e pesquisador da Universidade de Buenos Aires, afirma que as atuais opções de brinquedos e lazer dos pequenos não ajudam a desenvolver a capacidade de elaborar conflitos. Confira detalhes no texto do site do jornal Zero Hora

Doutor em Filosofia e Psicologia, o psicanalista argentino Luciano Lutereau, pesquisador e professor da Universidade de Buenos Aires, afirma que a melancolia sempre esteve associada à infância, mas reconhece que hoje essa condição se faz mais presente. O autor do livro O idioma das crianças lamenta que a brincadeira perca espaço para passatempos que são simples entretenimento, como videogames e outros atrativos tecnológicos, o que acarreta um prejuízo à capacidade de elaborar conflitos.

Os adultos têm enfrentado dificuldades para lidar com alguns sentimentos das crianças, como a tristeza, a raiva, a frustração?
Sem dúvida. Hoje nos encontramos com uma particular intolerância a respeito das emoções das crianças. Uma ideia própria da psicanálise, a de que a criança cresce através dos conflitos, é abandonada diante da expectativa de que ela sempre deve estar alegre. O imperativo do bem-estar, estendido à infância, leva o adulto a se assustar e a não saber como agir em situações normais, como as que demonstram a presença, na criança, de um sentimento de culpa inconsciente: por exemplo, as crianças são tachadas de instáveis ou impulsivas, quando esses estados expõem um traço particular do desejo infantil, o desejo de ser castigado. Um grande problema do nosso tempo é a intensa vigilância da infância em função de padrões adaptativos, como rendimento escolar, hábitos de higiene e costumes, e não baseada em seus próprios critérios de crescimento.

Em um artigo sobre a melancolia infantil, você escreveu que "começamos a temer o tédio como o mais urgente de todos os males e, no caso das crianças, nos preocupa muito mais que tenham algo para fazer do que pensar na plenitude do que fazem". Pode falar um pouco mais sobre isso?
Hoje em dia, parece muito mais importante ter uma vida exitosa do que uma vida autêntica. Dito de outra maneira, a sociedade contemporânea se baseia no efeito e não tanto no sentido. Desde muito cedo, as crianças são incluídas em práticas que ocupam o seu tempo, sem que isso implique uma "temporalização". Quando o tempo não está "ocupado", elas se sentem vazias e se aborrecem. Pedem para ser estimuladas. Inclusive os pais planejam suas viagens de férias considerando lugares que tenham recreação para seus filhos. Na tradição ocidental, o tédio e o aborrecimento não representaram apenas um tempo perdido, mas também uma passagem para a lucidez e a criação. A sociedade contemporânea, baseada na agilidade, esquece que o homem é a projeção no mundo da sua capacidade de invenção, e isso se reflete na infância como uma perda crescente da experiência lúdica. A brincadeira, antes de ser uma atividade, é uma ação que a criança inventa repetidas vezes. A brincadeira é o modo como a criança se inclui em um tempo próprio, e não uma temporalidade objetiva que prejudica o seu desenvolvimento.

Que tipo de mensagem o intenso consumismo de nossa época pode estar transmitindo às crianças?
O consumismo não tem mensagem, é uma ordem vazia de acumulação, de posse e descarte. O principal problema da atitude consumista é quando não se vincula apenas a objetos, mas também a pessoas. Desde pequena, a criança pode se acostumar a tratar os outros como descartáveis e as relações humanas como recicláveis e sem profundidade. O capitalismo atual é muito diferente daquele que se seguiu à Revolução Industrial. A sociedade pós-moderna não é utilitária, mas cínica, e este cinismo pode atingir as crianças se não levarmos em conta o importante papel da educação. Por exemplo, alguém poderia dizer a uma criança que ela não deve roubar porque pode ser presa, e isso não é mais do que um conselho prático. Na realidade, o fundamental é ensinar que ela não deve roubar porque assim prejudicará alguém. À moral de conveniência de nosso tempo, é preciso voltar a se opor uma ética da lei.

Por que a tristeza da criança é diferente da tristeza do adulto?
Porque nas crianças a possibilidade de perda é muito mais angustiante. Um adulto já está preparado para fazer uma relação entre o que se perde e o que permanece, através do luto, mas a criança costuma dramatizar essas perdas como absolutas. Além disso, a perda na infância pode acarretar um intenso sentimento de culpa – a criança acredita que fez algo errado ou foi má. A maneira como os adultos devem lidar com a tristeza das crianças é no sentido de reduzir o sentimento de culpa, permitindo que a brincadeira seja uma via de exploração das fantasias que as afligem. Esse território intermediário oferecido pela ficção, entre o interno e o objetivo, permite que a criança veja que seus temores não são tão intensos e que, além disso, são passageiros. E também que ela pode compartilhá-los com o outro sem ter medo de represálias. O mais importante na vida de uma criança é ter com quem brincar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Perfil Cognitivo Kids



Mais uma novidade para o mês de fevereiro! O Perfil Cognitivo Kids será realizado com turmas de, no máximo, seis crianças. São quatro encontros, com 1,5 hora de duração cada. Confira detalhes sobre essa ferramenta de autoconhecimento do Espaço Educacional, que pode preparar pessoas de todas as idades para fazerem escolhas na vida alinhadas com propósito e significado:

É um recurso de autoconhecimento que nos ajuda a ter uma visão panorâmica de nosso potencial e de nossas fragilidades. A partir do resultado, aprendemos a explorar nossas habilidades, potencializando-as, e a exercitar aquilo que precisamos desenvolver.

Com os estilos de aprendizado, exercitamos a nossa comunicação e nossa forma de aprender, passamos a observar e reconhecer como as pessoas aprendem para conquistar uma comunicação eficiente e uma aprendizagem produtiva. 

Com os estilos de raciocínio ou de comportamento, exercitamos nossa capacidade para resolver problemas com inteligência emocional, ou seja, acessar o hemisfério cerebral esquerdo para enxergar a realidade e o hemisfério cerebral direito para ter acesso aos nossos sentimentos e, assim, agirmos alinhados com nossas convicções. A busca do equilíbrio entre razão e emoção é um processo que nos acompanha a vida toda e que nos auxilia a fazer escolhas.

Com as inteligências múltiplas, descobrimos nossas áreas de interesse, onde se localizam nossas habilidades e talentos. Uma nova concepção do que é ser inteligente surge e tem muito a ver com as exigências do século XXI. As inteligências múltiplas podem ser utilizadas como um recurso que nos agrega muitos benefícios, como aliar vocação com profissão, descobrir canais saudáveis para liberar o estresse e estimular a criatividade.

Mais informações pelo telefone (11) 3846-6785 ou pelo e-mail jcoelho@espacoeducacional.com.br.

Faça o teste do Perfil Cognitivo gratuitamente no site: http://perfilcognitivo.com.br/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Projeto Alfabetização Emocional



O Espaço Educacional começa 2017 cheio de novidades! Uma delas é o Projeto Alfabetização Emocional (PAE). A partir de fevereiro, as turmas de seis a oito crianças participarão dos encontros de duas horas de duração, uma vez por semana. Confira detalhes: 

O Projeto Alfabetização Emocional nasceu para materializar a importância da inteligência emocional em nossa vida, não importa a faixa etária.

Ele representa o conceito de Educação para a Vida, pois o aprender e o ensinar só acontece quando estamos envolvidos emocionalmente na situação e, da mesma forma que pode estimular o nosso aprendizado, pode também bloquear.

O aprender nos acompanha desde a infância até a maturidade. Estar vivo é manter o brilho nos olhos para aprender em qualquer situação. 

A vida é composta de experiências com erros e acertos, que acionam imediatamente nossas emoções. E estas emoções precisam ser expressadas de diferentes formas para que aprendamos a lidar com elas de forma saudável. 

Aprender a olhar para dentro de si mesmo e acessar pensamentos e sentimentos (Inteligência intrapessoal) e aprender a se colocar no lugar do outro, com empatia, (inteligência interpessoal) é desenvolver a nossa inteligência emocional.

No ano passado, o Espaço Educacional realizou o Projeto Alfabetização Emocional (PAE) com crianças do Centro de Criança e Adolescente (CCA) Santa Teresa de Jesus. Confira aqui detalhes dos ótimos resultados!

Mais informações pelo telefone (11) 3846-6785 ou pelo e-mail jcoelho@espacoeducacional.com.br.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Novidade!: Site do Perfil Cognitivo



O Perfil Cognitivo do Espaço Educacional agora tem um site! Você pode fazer o teste online gratuitamente e terá um mapa do seu potencial! Confira a novidade já: http://perfilcognitivo.com.br/

O Perfil Cognitivo é uma ferramenta de autoconhecimento estruturada que dá um mapa do potencial da pessoa e de um grupo, identificando habilidades e dificuldades ou desafios baseado no tripé abaixo:

Estilos de Aprendizado - Nos Estilos de Aprendizado, a pessoa tem a oportunidade de descobrir seu estilo predominante e tornar seu aprendizado mais produtivo e prazeroso, bem como adequar a forma de ensinar e transmitir informações para outras pessoas com mais eficácia e personalização.

Estilos de Raciocínio e Comportamento - Nos Estilos de Raciocínio e Comportamento (neurociência), identificam-se a predominância do hemisfério cerebral e estilos, mostrando como a pessoa sente, pensa e age para resolver problemas em qualquer área de sua vida.


Inteligências Múltiplas - Nas Inteligências Múltiplas, quebra-se o paradigma do que é ser inteligente, ampliando esse conceito e identificando as áreas de interesse em que estão localizados os talentos e habilidades de cada pessoa e de um grupo.